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Daily Magazine on Underground House Music, Broken Beat, Contemporary Jazz & Soulful Vibes

PLAYLIST #57

Francisco Espregueira

Absorvo o som que toca, necessito dele para estar bem. Penso nisto durante toda a noite de domingo. A primeira, a mais recente novidade da editora londrina Church, chama-se "Eclipses". Garanto que não distingo bem o que se passou nas horas seguintes a tê-la encontrado. Acordei, no entanto, incrivelmente bem. No caderno uma lista de 7 faixas. Preparo-as agora para serem atiradas rumo ao infinito.

Do Sótão para o infinito.

AALIYAH : REMIXES

Francisco Espregueira

Queen Aaliyah é uma das artistas mais sampladas por todo o mundo. A sua morte precoce criou uma aura especial à sua volta, tornando-a uma influência muito presente nos dias de hoje. São inúmeras as abordagens diferentes feitas à sua música durante esta última década - com "Rock The Boat" à cabeça. Desde produções hip hop até puras faixas de deep house. Mesmo meu menino Sángo, nos seus ritmos faveleiros, reinventa Aaliyah em "Baile Somebody" como poderão ver mais para baixo. Este post está virado para as pistas de dança...

Pode parecer estranho passar de um estilo tão tipicamente R&B para algo que vibra nas caves mais underground da cena eletrónica... Eu penso que encaixa na perfeição. Por isso, vou criar uma linha imaginária a dividir o post em dois para defender este ponto de vista:

À esquerda, escrita por Timbaland e Missy Elliott, "4 Page Letter" - num estilo tão próprio desta Queen, smooth, tipo-balada. Em baixo, um rawcut de M44K que a puxa para as 120 batidas p/ minuto sem deixar que o feeling melancólico da sua origem desapareça.

Aaliyah - "4 Page Letter"

À direita, novamente colaboração de Timbaland ("can y'all really feel me?") a produzir "Are You That Somebody?" - batida descontrolada, partida e meia-gaga. Em baixo, o génio de Mall Grab vira do avesso a faixa, compromentendo a conexão corpo-mente. Deixo-a fugir...

Aaliyah - "Are You That Somebody?"

I’m sending him a 4 page letter,
and I enclosed with a kiss...
If I let you know...
(You can’t tell nobody)
(I’m talkin’ bout nobody)
Are you responsible?

Lo-Fi forever ✌

NOTAS

Francisco Espregueira

"China, cebame un mate."

Mais umas notas que vale a pena tirar.

Os Gotan Project têm músicas que me marcam definitivamente. Ultimamente, as palavras de Juan Carlos Cáceres com aquele sotaque semi-indígena andam tatuadas na minha mente.

Cativado pelas "notas" tiradas nesta faixa, o sentimento de partir rumo ao Sul surge de novo.

Mestizaje de europeos, negros, indios.
En el río de la Plata,
hace mucho, no se sabe justo cuándo...
un buen día nació el tango.

Gotan Project - "Notas"

NXWORRIES : "YES LAWD!"

Francisco Espregueira

21 de Outubro. Tinha esta data marcada no calendário. Depois de "Suede", que já tem uns dois anos, depois de "Link Up", depois de "Lyk Dis" e depois de "Get Bigger" a expectativa só podia ser o maior inimigo de "Yes Lawd!". Mas os NxWorries, compostos por Anderson .Paak e Knxwledge, derrotam tudo...

NxWorries - "Best One"

Editado pela Stones Throw Records - a editora perfeita para este projecto - "Yes Lawd!" é uma peça que mistura na perfeição as raízes da música afro-americana. Há muita soul, muito funk, muito jazz, muito hip hop, muita atitude! Aliás a viagem pelo álbum é isso mesmo. Há momentos que fazem lembrar os anos 60'/70' da música negra, outros com samples bem funky e batidas na onda R&B/Hip Hop... Isso tudo conduzido por Knxwledge. É ele que guia este Chevrolet descapotável.

No lugar de passageiro, Anderson Paak. Qual super-herói! Na sua atitude pavoneadora, sem papas na língua... uma espécie de James Brown dos dias de hoje. Nastier, meaner e sexier. Dirige-se ao mulherio: magoando-as ou sendo magoado por elas. Encantado, ajustado, enojado, desapontado, apaixonado por elas. Chamando-lhes de amores e de putas. Prometendo não trair e traindo. Capaz de as endeusar para depois as reduzir a pó na faixa seguinte. Paak é Paak e quando ele te chama bitch é porque és a bitch dele...

Espero ansiosamente pelo momento em que tenha este vinil nas mãos. Não haverá melhor coisa durante uns tempos do que chegar ao Sótão de noite, segurá-los nas mãos, e pô-lo a tocar... sentar-me e deixá-lo. Amei isto à primeira vista, assim como amei a "Suede" cinco segundo após o play. Para a coleção especial do Sótão: "YES LAWD!"

NOTAS

Francisco Espregueira

Duas notas muito rápidas.

"What They Do" dos The Roots. O início com a bateria de Questlove e todo o groove que se segue. "Never dooo... what they do, what they do, what they dooo". 1996.

"Love" dos The Globetroddas. O baixo que serve de base à faixa. Ando a murmurar a sua melodia. "The Globbetroddas take your soul a ride". 2004.

The Roots - "What They Do"

The Globetroddas - "Love"

PLAYLIST #56

Francisco Espregueira

"Stop. Forget it. Don't waste your ink. Take time to think. Let the process sink. Don't waste your ink. Yo, just... In and out. Just breathe. In and out. Just breathe. In and out. Just breathe. Relax. Relate. Release."

INDIAN MAN - CHILLIN'

Francisco Espregueira

"Dream big, choose to be old school. Sou só mais um rapper a rimar na margem sul!"

Hip hop em português no Sótão. Indian Man possui em "Chillin'" um diamante!

"Não, na-na-na não..."

NICOLAS JAAR : "NO"

Francisco Espregueira

"No".

"No" é o quarto capítulo de "Sirens", o novo álbum do prodigioso Nicolas Jaar. Conceptual, "Sirens" é um labirinto de sons e palavras divido em seis partes que parecem ter sido escritas por um revolucionário que acaba de baixar as armas e deixar que o mundo lhe passe em frente dos olhos como está. Como não o quer.

"No" é a faixa maestra do àlbum. A única com letra castelhana, cantada ao seu estilo. Naquele sotaque sul-americano... semi-indígena. Saudades de "El Bandido" e de "Mi Mujer" apoderaram-se de mim, mas "No" é diferente. Minimalista, colorida de ritmos latinos. Mais poderosa, mais conscenciosa, mais indígena.

"Ya dijimos No":

"Un día
  De ventana abierta
  Mi vecino vino a verme
  Estaba lleno de desilusión

  Me miró en los ojos
  Y me dijo:

  Ya dijimos No
  Pero el Si está en todo
  Lo de adentro y de afuera
  Lo de lejos y de cerca
  Lo que todos hemos visto
  Y lo que ni siquiera dicen
  Ya dijimos No!

  Y fue ese día
  Que yo me ví
  A mi mismo
  En veinte años

  Y nada cambia
  No nada cambia
  Y nada cambia
  No nada cambia

        Por estos lados.......

  No hay que ver el futuro
  Para saber lo que va a pasar"

PLAYLIST #55

Francisco Espregueira

Novidades em formatos de eletrónica! Muita vibração na pista de dança do Sótão com estas 7. Sempre Ross From Friends a surpreender - o remix de "Loose Woods" é primoroso. Antes, também já por ele mixada anteriormente, "A Kind Of Us" abre a lista e a alma para o que se segue. O novíssimo single do mais "soulful" dos turcos, Kerem Akdag, antes de entrar por cenas mais deep que soam melhor a alta velocidade.

Banda sonora de vida urbana. ✌

COMMON - "I USED TO LOVE H.E.R."

Francisco Espregueira

Ontem pela noite de novo veio-me à cabeça de como é bonita a letra de "I Used To Love H.E.R." Um clássico incluído num dos principais álbuns da cena hip hop americana dos anos 90' - Resurrection. Common conta a história de uma rapariga que conheceu enquanto puto e por quem eventualmente se apaixonou.  Com o passar dos anos, no entanto, acabaram por se afastar devido às constantes mudanças de persona dessa rapariga.

Não é até ao finalzinho da faixa que Common revela que cuspiu os versos sobre rapariga alguma, mas sobre o hip hop como um todo. Especialmente sobre o hip hop que se tornou orientado para a violência e para o gangstarismo. H.E.R. é mesmo o acrónimo para "Hearing Every Rhyme"... até ao fim.

That she’s just not the same letting all these groupies do her
I see niggas slammin’ her, and taking her to the sewer
But I’ma take her back hoping that the shit stop
Cause who I’m talking ‘bout, y’all, is hip-hop

Common - "I Used To Love H.E.R."

E ontem, de noite, ouvi-a de novo. A seguir três novas faixas que entrarão no próximo álbum de Common: "Black America Again". Os Tiny Desk Concerts da NPR têm-nos trazidos pequenos tesouros ao longo dos últimos anos, este será talvez o mais valioso. Muito especial as palavras de Common. Muito especial a banda. Muito especial o piano de Robert Glasper. Muito especial a voz de Bilal. Muito especial o look da flautista. Muito especial o local. Common é rei na Casa Branca de Obama. Aqui fica:

PLAYLIST #54

Francisco Espregueira

Uma mistura de clássicos Hip Hop - bem guardadinhos por estas gavetas - e novos lançamentos de produtores na mesma onda, mas em modo instrumental. 8 faixas para fazer jus a um domingo de relaxe e boas vibes!

DJ Quik, Mad CJ Mac e Big Pun (com uma versão raríssima, tipo demo, da inolvidável "I'm Still Not A Player") a defenderem a velha guarda. Kevatta, Saib, Harris Cole, Karmawin e IAMNOBODI, cheios de valor para demonstrar, envergam a camisola dos "juniores" nesta #48. De LA até Chicago, de Berlim até Casablanca. Amplitude geográfica no Sótão. ✌