Content - o sótão

Contact Us

Use the form on the right to contact us.

You can edit the text in this area, and change where the contact form on the right submits to, by entering edit mode using the modes on the bottom right. 

Rua Álvaro Gomes, 89, 4º Esq
Porto
Portugal

+351916574834

Webmagazine and record label on underground house music & contemporary jazz. We're about music released by independent artists and labels.

Content

Daily Magazine on Underground House Music, Broken Beat, Contemporary Jazz & Soulful Vibes

Andrew Ashong

Francisco Espregueira

Andrew Ashong - Don't Know Why/Never Dreamed [Rework]

Quando é que uma música se torna incondicionalmente "minha"?? Estou a falar de a ouvir quer esteja no avião de partida ou no avião de regresso. Estou a falar de a ouvir vezes infinitas, tanto que começo a ter pena de outras que parece que me olham lá do ecrã do meu iPod ansiando que eu vá carregar no play para que elas possam ter finalmente a oportunidade de me impressionar.

A "Flowers" é minha mas também é de muita gente! Eu já mostro a quem não conhece... mas esta é resultado da junção de Ashong ao gigante Theo Parrish. Puff... no topo a partir de 2013, rodando nos iPods e afins de, lá está, muita e muita gente. Gente com gosto? Absolutamente!

Pois é... mas já estamos à porta de 2015 e hoje acordei, liguei as potentes coluninhas que o meu primo me emprestou e lá meti a rodar o disco, e foi com surpresa que mais uma vez vou descobrindo novas coisas naqueles 8 minutos e 52 segundos muito especiais. Lembro da primeira vez que a ouvi: "Well... Mr. Andrew Ashong... it is very nice to meet you!" "Shit don't smell like flowers, sunshine turns to rain" concordei e lá balançei lentamente.

Há uns meses atrás saía um novo EP onde o tipo junta essa a mais umas e tenho que dizer que está top! Baixo puxado, voz quente vinda do além e muita música e mensagem. Lowbeat. Nos caminhos que vão dar à electrónica, trip-hop e ao soul. Especiais também.

Ficam aí as três do costume (com a "Flowers", claro) e mais um vídeo escondido atrás de uma das fotos aí dessa prateleira em cima que muito honestamente, meu amigo, coloca as coisas em outros níveis.

Do sótão pr'ó infinito.

PS: hoje reparei que fico doido no minuto 5:21 quando entra uma batida com eco na música... mais uma vez esta é mágica.

PLAYLIST #1

Francisco Espregueira

Rua do Veludo, Foz do Douro. Porto

6 beats para este fim-de-semana na 1ª playlist de fim-de-semana. Easy Vibes... directamente do Sótão, com carinho.

"Quando era mais novo havia uma coisa muito bonita que era a Sedução..."

Let's chillll

Freddie Joachim

Francisco Espregueira

(JO-AH-KIM). Também ele fiel discípulo de J Dilla, identifico-me com este tipo. Já o conheço à algum tempo e há uns meses tropecei num set que ele gravou ao vivo como DJ. Música após música fui considerando a hipótese estar ali a minha alma gémea. Hip Hop, Jazz & Soul music, right here...

 

 

Fui vasculhar, então, por entre o que tinha feito ao longo dos últimos anos e descobri que o sótão é, sem dúvida, o lugar ideal para ouvir os seus beats. Não tendo uma discografia convencional, estando as suas produções espalhadas em álbuns de muita e boa gente como Joey Bada$$, Muneshine, entre outros, tenho que admitir que admiro imenso o gajo. Apesar da sua influência vir em grande parte da época de ouro do Hip Hop nos 90', ele não é old-school. Aliás é como se fosse um dos muitos miúdos espalhados por esse mundo fora que vão de tempos em tempos colocando as suas produções no Soundcloud, vindas directamente de um quarto ou uma sala pequena repleta de instrumentos e discos desordenados.

Quiçá um sótão... é essa a impressão que dá, é essa a impressão que ele quer dar, porque isso é a música hip hop no seu estado natural. É da salinha ou do quartinho, com os copos por lavar de uma semana e uma espécie de homem das cavernas lá metido que já perdeu a noção do fuso horário a que pertence. É assim... e essa é uma das razões porque eu curto Freddie Joachim. O trabalho e talento que coloca na produção vem de dentro, vem de paixão, vem da curiosidade que o levou horas e horas, dias e dias, a vasculhar sótãos "à procura da batida perfeita", "em busca de perfeita repetição", desse sample mágico, que ele vai converter e reinventar em linguagem musical.

Aí fica. "Strawberries", definitivamente umas das all-star da minha vida.

Stay mellow

Hiatus Kaiyote

Francisco Espregueira

Polyrithmic Gangster Shit! É assim que se apresentam os Hiatus Kaiyote. Neo-Soul em força vindo da Austrália. Há uns dias lançaram um EP intitulado de "By Fire" onde fazem um preview daquilo que poderá ser o novo álbum cujo lançamento está marcado para 31 de Março do próximo ano. As músicas e a sua produção está top!

Antes, em 2013, lançaram "Tawk Tomahawk", que recebeu a merecida aclamação do mundo da música, mas não do público em geral! Mas também sejamos honestos: o público em geral é um pouco parvo. No entanto estes meninos não são coitados nenhuns, aliás não são todas as bandas que se dão ao luxo de terem, no seu 1º álbum, uma música com Q-Tip dos A Tribe Called Quest, e em Nakamarra, o rapper faz a sua aparência a espalhar um pouco de magia como lhe é habitual.  Nai Palm, além de cantar p'ra caraças, consegue dar uma certa G-Mentality em certas músicas de estrutura Soul. E da mentalidade Gangsta' passamos para um G-Style, que também encontramos em algumas músicas somente com instrumental, que mostra que a banda olha para o Hip Hop como fonte de inspiração. Eu aprovo, claro.

Polyrithmic Gangster Shit? Não sei, mas abano a minha cabeça ritmadamente ao som de Rainbow Rhodes e Molasses... Talvez só tenha de meter o cap e já fica! Aqui estão as músicas escolhidas por mim. Sentem-se aí comigo no sótão e carreguem play, os vídeos estão escondidos por detrás das imagens, é só clicar. Estavam à espera de encontrar as coisas à vista... não se esqueçam que isto é um sótão! As minis estão no frigorifico...

Hiatus Kaiyote - Live In Revolt (1. Rainbow Rhodes; 2. Nakamarra; 3. Sphinx Gate; 4. The World It Softly Lulls)

Hiatus Kaiyote - Molasses (By Fire EP)

PS: E pronto, voltei a apaixonar-me pela voz de Nai Palm.

Yasiin Gaye

Francisco Espregueira

Amerigo Gazaway é o nome de um produtor americano que nos últimos anos nos tem presenteado com colaborações que nunca existiram!

A sua série Soul Mates redefine o conceito de mash up. 1º juntou o pioneiro do afrobeat, Fela Kuti, aos pioneiros do Hip Hop, De La Soul, em "Fela Soul". Mais tarde junta dois dos mais importantes e influentes grupos da cena Hip Hop dos 90', A Tribe Called Quest e os The Pharcyde no projeto "A Bizarre Tribe: A Quest to The Pharcyde".

Mas em 2014 vem o seu trabalho mais bem conseguido: "Yasiin Gaye". Aqui, Gazaway casa a genialidade de Mos Def (agora chamado Yasiin Bey) ao brilhantismo dos samples e vocals do grande Marvin Gaye. O resultado são músicas reinventadas, como se não tivessem sido sujeitas ao tempo ou outros factores de desgaste. O trabalho de junção dos sons é absolutamente perfeito.

Aqui fica a minha seleção de 3 músicas retiradas desta colaboração fictícia! Foi difícil vasculhar por entre os dois LP's... "The Departure (Side One)" & "The Return (Side Two)", ambos têm material d'ouro para caraças! Deliciosos!

#1

Francisco Espregueira

Gladys Knight & The Pips - On & On (prod. by Curtis Mayfield)

Quando era mais novo pensava que sótão era uma junção das palavras sozinho e tanto, mas, apesar de nunca me ter dado ao trabalho de estudar a merda da etimologia da palavra, continuo a achar que faz algum sentido.

Uma noite em que eu estava a desenvolver esse magnânimo esforço que é estudar, pus me a vasculhar o armário do sótão à procura de alguma coisa de interessante que me roubasse a atenção que certas cadeiras de Direito talvez merecessem.

Acabo por encontrar o leitor de vinis do meus avós, e escondido atrás dele duas montanhas completamente desordenadas de LP's e Singles. Lá o leitor de vinis não tinha ar de que se iria ligar sequer, e as colunas, encaixilhadas em madeira, não tinham ar de recicláveis. Mas entre estudar e tentar pôr aquilo a funcionar tomei, em consciência, a opção óbvia. A primeira música que meti, escolhi-a por causa da capa. Era um best of da Gladys Knight & the Pips com uma daquelas capas muito à anos 70... puxou-me a curiosidade e à sorte lá, com cuidado, coloquei o lado B do vinil. Depressa acendi alguns cigarros enquanto abanava a cabeça ritmadamente ao som daquelas velhadas que fazem muito o meu estilo e fui curtindo, ali... sozinho madrugada fora. Percebi que era aquilo que queria fazer todas as noites antes de me ir deitar. Ponho o volume baixinho e fumo um cigarro.

Hoje crio este blog, com o objectivo de mostrar a quem passar por aqui a música que ecoa desse sótão, a música que me faz mover. Não quero meter aqui grandes análises, e retrospectivas, e historinhas sobre esses artistas. Quero apresentá-los e convidar-vos a carregar play (é só clicar na imagem). Se gostarem passem aí outra vez, espero ter sempre novas coisas para vos mostrar.

Francisco Espregueira