Content - o sótão

Contact Us

Use the form on the right to contact us.

You can edit the text in this area, and change where the contact form on the right submits to, by entering edit mode using the modes on the bottom right. 

Rua Álvaro Gomes, 89, 4º Esq
Porto
Portugal

+351916574834

Webmagazine and record label on underground house music & contemporary jazz. We're about music released by independent artists and labels.

Content

Daily Magazine on Underground House Music, Broken Beat, Contemporary Jazz & Soulful Vibes

playlist #60

Francisco Espregueira

Preparei uma roda eletrónica para curar maus humores no silêncio domingueiro deste Sótão. Acabo por não abrir o computador para escrever e vou caindo nos tons melancólicos de "U". Quando deixa de existir percepção do que é sonho ou real percebo que só tenho que me deixar levar.

walking home

Francisco Espregueira

(hm)
here’s something you don’t know about (ey)
I delete your number when I go out
see at the bottom of the bottle when your bottom comes to my eye
I’mma put my phone out, no doubt
nothing colder than oslo in november
your warmth’s gettin hard not to remember (it’s like)
I can honor how we decided to end it (or)
hit quick dial and surrender, bury the hatchet (hm)
deep in that fertile soil, that thing you do with your - (ss)
that’s personal (yo), straight up and vertical
the coupe is cool when the bird’s flown
word is sippin merlot alone, that’s how I go (ey)
that’s how I go (ey)
merlot
this burgundy is dark, there’s something in the dark
I’m just...

(hm)
walking home, dough low
another night in the o-s-l-o
another night in the o
I’m just walking, walking home
in the o-s-l-o, dough low

♒ ♒ ♒

notas

Francisco Espregueira

Quando abri aquelas gavetas naquele quarto já conhecia por alto DJ Cam. A "Rebirth of Cool" era, e continua a ser, daquelas faixas "minhas". "Minha" porque contém o feeling que quero sempre. Lá na gaveta estava um CD: "DJ Cam Playlist".

Enquanto voltava a casa pus o CD a tocar no carro e quando cheguei às faixas 7 e 8 subi o volume. Uns anos mais tarde haveria de o dar a alguém a quem nunca poderia sequer pedir para valorizá-lo da forma que valorizo...

Ficaram comigo a 7 e a 8, principalmente. "Minhas".

7.  Athletic Mic League - RU?

8. The Likwit Junkies - One Day Away

especial : ivan ave

Francisco Espregueira

Houve certos artistas que tive o prazer de ouvir incontáveis vezes, de um modo louco e obssessivo, durante este ano. No entanto, não haverá nenhum com quem me tenha identificado tanto do que Ivan Ave. Depois de ser introduzido a "The Circle", depois de ouvir por inteiro o álbum "Helping Hands", percebi que Ivan Ave tinha algo muito característico com o qual me relaciono imediatamente.

As influências base para a sua arte são evidentes, percorrendo o jazz, a soul e o funk de câmara lenta - louros devidos também aos produtores a quem se foi associando. E eu, super influenciado pela forma abstrata de partilhar a mensagem e pela maneira como percorre as batidas com a sua voz. Deixando aqueles 'huh's' e 'nah's' nos fins de versos... Na verdade, conheçê-lo mais a fundo e ter passado uma audição atenta por tudo o que fez para trás, abriu-me a porta a novos artistas e às respectivas colectividades e editoras, a novas sonoridades e abordagens. Malta talentosa e desconhecida do grande público.

Junto então ao blog muitos desses nomes, enquanto vou curtindo por aqui na minha paz. Olho para a lista e orgulho-me. Entre colaborações e faixas a solo, um denominador comum: Ivan Ave!

"Do you realize this generation doesn't have slow jams at parties? This is partly why men don't know how to talk to women anymore."

PS: a obra prima de Ivan Ave chama-se "Helping Hands" e está aqui!

playlist #59

Francisco Espregueira

Novidades e novidades. Fiz esta a pensar no Inverno em cidade. Sete faixas para andar pelos pingos da chuva, pelas filas de trânsito e pelas atividades rotineiras como se nada fosse.

A profundidade do hip hop para vos guiar pela semana.

seb wildblood : "SW004"

Francisco Espregueira

A editora londrina 'Church' é uma das hubs do momento no que toca ao alto quilate da música eletrónica. O seu boss chama-se Seb Wildblood que acumula essa função com a de talentosíssimo produtor! No passado dia 4 foi lançado uma pequena colectânea com 4 faixas, que sonho adquirir em modo físico. Para já contento-me com as maravilhas da internet para as ouvir e vos passar. Com todo o gosto!

SW004:

notas

Francisco Espregueira

Duas novas ouvidas no domingo.

De manhã, abri o portátil para ver se algo me surpreendia. "I Luv Dr. Girlfriend" de Kyle Hall acabou por ditar o setting perfeito. A calma e a nostalgia espalhadas pela casa, enquanto começava o dia. A repetir. Pensei em dar uma vista de olhos na discografia de Hall, o que tenciono fazer brevemente.

De noite, voltei a colar nos documentários da Resident Advisor. "Real Scenes" em Los Angeles trouxe-me a certa altura "Then Before Now Once More" de Sage Caswell com as batidas a caírem com peso. Denso. Mais do que adequado para a meia luz da noite.

Aqui ficam.

Kyle Hall - I Luv Dr. Girlfriend

Sage Caswell - Then Before Now Once More

especial : favela #2

Francisco Espregueira

playlist #59.png

Do pesadão no Sótão. A edição #2 do "especial favela trap" chega finalmente. Só precisei de um clique. Esse clique numa mix que pairava no soundcloud reacendeu a chama faveleira dentro destas quatro paredes e trouxe consigo o vento tropical que me vira ao contrário.

Ao longo do ano fui estando atento ao que de novo surgia, recolhendo, obcecado, os diamantes que coleciono. Fui juntando tudo a uma lista que guardo para o efeito, sabendo que um dia a revisitaria e que subiria ao Sótão para libertá-la janela fora. Aquele clique naquela mix, foi a pedra de toque... e agora: janela aberta.

São 20. Batida bem pesadona, elementos bem tropicais... as faixas vão se abrindo umas a seguir às outras chegando até ao funk do puro. Tudo aí em baixo. Alô Brazil!

A edição #1 : AQUI!

A TRIBE CALLED QUEST : "WE GOT IT FROM HERE... THANK YOU 4 YOUR SERVICE"

Francisco Espregueira

Esta é a última peça. A sexta e a final. Depois de "People's Instinctive Travels and the Paths of Rhythm", "The Low End Theory", "Midnight Marauders", "Beats, Rhymes and Life" e "The Love Movement":

"We Got It from Here... Thank you 4 Your Service".

A Tribe Called Quest é tão importante para mim que penso, imbuído deste momento final, que conseguiria escrever um livro sobre o quanto mudei a partir do momento em que ouvi pela primeira vez "Electric Relaxation". Nasci em 1992 mas só lá para a segunda metade do anos 2000 é que comecei verdadeiramente a ouvir hip hop. ATCQ já tinham lançado "The Love Movement" em 1998 mas, por sorte, fui introduzido a este género musical por portas que me levaram a eles rapidamente. E a partir daí o hip hop para mim passou a ser indissociável de ATCQ...

Lembro-me do início de "Keep It Moving" com Tip abrir o livro e a distanciar-se de guerras east vs west, dropando um flow que lhes é tão característico... lembro-me de me apaixonar por "Bonita Applebum", lembro-me daquele constante diálogo entre Phife e Tip na "Check The Rhyme", de andar de carro a acelarar com 40 Cº lá fora ao som de "Luck of Lucien", do refrão de "Find A Way", de "Stressed Out" lá em cima no Sótão, de dançar ao som de "Oh My God"...

Ao longo dos últimos dez anos fui associando vários momentos à música destes senhores. E por isso escrevo mais do que o habitual... ficando tanto por dizer ainda. Hoje, passados quase 20 anos desde o último álbum, acordei com a sensação estranha de que poderia sair desiludido. Na verdade não sou muito fã de comebacks e acho sempre que um artista - ou um grupo - quando sai do seu tempo, fica a meio caminho daquilo que era e daquilo que é. Para me consolar pensei no excelente "Black Messiah" de D'Angelo, ele que também se ausentou durante tanto tempo, ele que me foi introduzido por Tip.

Mas houve qualquer coisa na primeira música... chama-se "The Space Program". A faixa começou a tocar com uma urgência de palavras... de calls for action, arrepiando caminho por ali acima até que tocam os acordes de "Electric Relaxation". [blank mind, eyes wide open, heart beats] [blank mind, eyes wide open, heart beats] - 'pfffffff' - liberto extasiado. O ciclo acabara de completar-se poeticamente.

O resto vou ouvindo por aqui, sem parar, atento aos detalhes. Repetindo doses. Viciado. Deixo tudo inteiro para voçês aí em baixo. "We Got It from Here... Thank You 4 Your Service".

JUJU ROGERS & BLUESTAEB - GET LOST

Francisco Espregueira

"Today is a day that leaves you lost in the light of yesterday's election which essentially is a continuation of a global trend of racist, sexist and homophobic populism from the US to the Philippines. The whole problem is very complex but all of these populist idiots benefit from a huge part of the people not caring and they rather 'get lost'. JuJu Rogers drops some jewels - fuck (!) diamonds - over a Bluestaeb beat for those who think their voice doesn't matter. Their album 'Lost In Translation' drops in December."

PS: e amanhã sai o derradeiro álbum dos ATCQ, os olhos carregam-se de lágrimas. "We Got It from Here... Thank You 4 Your Service"

HARVEY SUTHERLAND AND BERMUDA : "PRIESTESS / BRAVADO"

Francisco Espregueira

Desde as subtilidades de "Bamboo" que ansiava por mais do australiano Harvey Sutherland! Este vídeo nas RA Sessions deixou a água na boca que tinha que deixar... a transição da "Close Quarters" para a nova "Priestess" é tão suave como se deseja, crescendo esta mágica-e-lentamente durante 9 minutos.

E a qualidade de som que sai das colunas é tão boa que só posso deixar-me levar. Vou em busca de "Priestess" mas só saía dia 4. 'Espero uma semana e tá aí!'. Mas dia 4 esqueço-me! 'Como é possível?', pergunto-me! Bem, mas chegou o momento de ouvir e só pensei 'atenção nos detalhes'... mas que detalhes tão bons!

Por razões que nem consigo expôr estarei numa cama por 3 semanas... puxei toda a música para junto de mim, juntei o sistema de som à cama e aqui vou ficar... Que Harvey e os Bermuda me acompanhem.

'Atenção aos detalhes'.

Harvey Sutherland and Bermuda - Priestess

Harvey Sutherland and Bermuda - Bravado

PLAYLIST #58

Francisco Espregueira

In August 1973, the sister of DJ Kool Herc was holding a birthday party for herself in the basement of 1520 Sedgwick Avenue. As Kool Herc was playin' the music on his two-disc turntable, he began to slow the music down, sloooowing the record. People stood up and took notice, and began to ask him to do it again. He did it again. They asked him to do it again. He did it again. He attracted more and more people to his performances, and people began to imitate him. And that was the beginning of hip-hop music. It started in The Bronx.

NOTAS

Francisco Espregueira

Porto, Novembro de 2016.

Tem anoitecido com vento leste, sempre sinal de bom tempo no sítio onde vivo. Semana após semana penso que vai desaparecer, mas não. Rasgo, então, com qualquer linha de estilo que este blog possa ter, para aqui trazer duas tão bonitas e emocionantes.

Uma toalha, um paravento, um tipo sem nada para fazer e "Samba de Raiz". Na roda de samba que se constrói na minha imaginação, em Novembro e na praia, penso em "laia-laia".

Samba de Raiz - "Malandro" & "Malandro Também Chora" (original de Jorge Aragão)

Malandro,
eu sei que voçê nem se liga no fato
de ser capoeira, moleque, mulato...
perdido no mundo morrendo de amor

Samba De Raiz - "O Show Tem Que Continuar" (original de Fundo de Quintal)

Mas iremos achar o tom,
um acorde com um lindo som,
e fazer com que fique bom,
outra vez o nosso cantar...

ROSS FROM FRIENDS (II)

Francisco Espregueira

Novamente Ross! Este é o tipo que mais ouço de momento. Todos os dias, pró meio das atividades rotineiras lá aparece RFF com as suas batidas distorcidas bombardeadas do céu. Caem em cima de mim como se fossem gotas de chuva gigantes...

Mas não são apenas as suas produções originais que merecem aclamação. RFF tem vindo consistentemente a lançar remixes do mais alto quilate! "Tired of Being Alone" dos Athlete Whippet é a última a impressionar. O play, aí em baixo, é bastante recomendável. Diga-se de passagem, que é consistentemente boa ideia ouvir qualquer coisa com o dedo deste tipo.

Maribou State, Pedestrian, Ment, Contours e Temptress são conquistados por Ross que lhes adiciona essas gotas de chuva gigantes que caem do céu desordenamente... os toques são inconfundíveis. Tudo aí na lista de 5 remixes que apresento.

O estatuto de mito suburbano que vai conquistando só pode ser justo... só pode ser justo. Longe dos holofotes, muito longe mesmo, há génios que valem a pena ser ouvidos.